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D. FAVO DEL PLATA (Versos)

VIDA MATEMÁTICA

 

É difícil compreender a humanidade

Na hipérbole que a eleva

Dos píncaros de seus faustos,

À baixeza de seus piores excrementos.

 

Como o homem,

Na pequenez de sua condição,

Grão de areia numa complexidade desconhecida,

É inapto a decifrar os resultados inexatos

Desta Vida Matemática.

 

Quatro operações,

Quando não os matriciais,

Tão harmoniosos em conflito,

Contraditos ilógicos,

Descomunalmente ambíguos.

 

Vivas à vida,

Matemática inexata,

Roda viva de disparates:

Maldito dia quando noite,

Maldita noite quando dia.

 

Não há senso,

Nem coerência,

Transparência de sonhos,

Só verdades mal ditas,

E mentiras benditas!

 

(D. FAVO DEL PLATA)

 

 



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 04h14
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CASOS DA HISTÓRIA

O bicho-papão de Humberto de Campos.

          José Cândido da PONTES VISGUEIRO foi um prestigiado político e magistrado atuante no Maranhão ao mesmo tempo que uma figura cuja toga respeitável cobriu-se de loucura, ridículo e sangue, protagonizando um dos maiores crimes passionais do Brasil Império. HUMBERTO DE CAMPOS escreveu uma crônica interessantíssima sobre aquele homem, solteiro a vida toda (teve apenas uma filha natural nos tempos de estudante, posteriormente reconhecida), o qual, já velho, surdo e avô, apaixonou-se obcecadamente por uma rapariga de 15 anos, mercantil do sexo, propondo-lhe casamento. A dita Maria da Conceição negou a oferta sob a alegação que não se continha com apenas um homem, levando em conta ainda não ser ele jovem, preferindo homens da sua faixa etária, os quais encontrava com variedade nos bordéis. Visgueiro, inconformado, passou a segui-la com uma frequência literalmente frenética. Nos meretrícios, diante das outras, ajoelhava-se diante da “amada”, contemplando-a. Caiu no ridículo e no desprezo. Virou chacota. Quanto mais a procurava mais longa era a fuga daquela mulher. Ela frequentou a casa do desembargador, onde dormiu algumas vezes. Diante de tudo, como se não bastasse, no inicio de 1873 foi detectado o furto de algumas centenas de mil réis da residência do magistrado, tendo sido, nas suas vistas, ela a autora. Por fim, como vingança, em 14/08/1873 Visgueiro atraiu-a para sua casa –um sobrado situado em São Luís- onde, combinado previamente com um comparsa, a sedaria com clorofórmio. Com um punhal em mãos beija a moça já desacordada. Crava a lâmina num dos seios e morde o outro como despedida final. Maria da Conceição foi esquartejada. Ele próprio preparou uma urna de zinco onde colocou-a, lacrou com solda e tudo isto foi inserido dentro de outro caixão de madeira, enterrando no quintal de sua casa, a dois palmos de fundo, após deixar três dias na sua sala de jantar. Descoberto o crime a população foi veemente nas manifestações de repulsa e na exigência de sua condenação à pena de morte. Devido à sua posição foi julgado no Rio de Janeiro pelo Supremo Tribunal de Justiça no dia 13/05/1874, tendo por seu advogado Franklin Dória (Barão de Loreto), que estruturou a defesa sob a tese de "desarranjo mental" enquanto a acusação pleiteava a pena de morte. Foi condenado a prisão perpétua com trabalho, perdendo o seu cargo de desembargador. Cumpriu a pena na Casa de Correção da Corte, onde aprendeu o ofício de encadernador e era visto de cabeça raspada, “...barba comprida e branca, vestido de zuarte, um número de metal pendente na cintura, trabalhando na oficina de encadernação...”, no dizer de Humberto de Campos. A história registra que em 1875 faleceu. Se lenda ou não, dizem que na realidade ele fugiu ao estrangeiro. O caixão que dizia levar seu corpo estava na verdade cheio de pedras. Pontes Visgueiro seguiu para Lisboa (Portugal) e conta-se que lá foi visto por muitos brasileiros, onde possivelmente veio a terminar seus dias.

          Evaristo de Moraes publicou em 1934 “O caso Pontes Visgueiro – um erro judiciário” (reeditada pela Siciliano em 2002), onde apresenta com detalhes, à luz da criminologia e da ciência penal, os defeitos do processo, apontando que o réu era um degenerado e merecia, não a Casa de Correção, mas o manicômio. No ano passado foi lançado “A tara e a toga” de Waldemiro Viana, editada pela Fundação José Sarney.

         Representou o autêntico BICHO-PAPÃO na infância de HUMBERTO DE CAMPOS, grande escritor nacional, acadêmico da ABL, maranhense de nascimento e conforme o próprio relatou em prosa, sobre cuja estória/história ouvira falar inicialmente pela boca de sua mãe, que o amedrontava com os fatos do “monstro Visgueiro”.

 



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 19h09
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O herói de Cruz Machado: fatos à luz de documentos.

                                                                                                                                         FABIO FURTADO PEREIRA

            No dia 30 de Janeiro de 2011 o programa Revista RPC, veiculado na Rede Paranaense de Comunicação, no seu quadro Casos e Causos, reprisou um filme intitulado O Herói de Cruz Machado, dirigido por Guto Pasko e produzido pelo Studio GP7 Cinema & Atores, sobre a atuação de meu bisavô Antíocho Pereira junto à antiga colônia federal Cruz Machado, hoje município de mesmo nome. Como ocorre com a totalidade dos personagens da nossa história, a grande maioria ainda desconhece totalmente a sua biografia e outros, que conhecem-na pouco, confundem a cronologia real dos acontecimentos. Ao correr do tempo aprendi a cultivar o olhar científico com que deve ser tratada a história, admitindo-a como uma superfície delicada e escorregadia, que deve ser analisada através de fontes primárias, com muita calma, seriedade e prudência, a fim de evitar os tradicionais e corriqueiros tombos, eminentes e retumbantes. Diante de todo o aparato de cuidados do qual a ciência histórica é merecedora, fundamental é a aplicação, ao meu entender, nas lides de historiógrafo, dos dois pilares cruciais legitimadores da História enquanto ciência: metodologia e sistemática.

Ao assistir o filme verifiquei um erro central ao pé do qual a história curva-se, ajoelha-se e implora elucidações urgentes. Inapropriado foi o lenço vermelho atribuído a Antíocho Pereira à época dos acontecimentos epidêmicos na antiga colônia Cruz Machado. Tal equívoco foi expressamente declarado na cena em que a personagem Ruzia (Nice Novak) pergunta a Antíocho (Lício Ferreira):

- Por que este lenço vermelho no pescoço?

- Este aqui é um símbolo da Aliança Liberal. Foi uma maneira que eu encontrei de ser contra o governo que aí está, responde.

Na realidade lhe é atribuído o lenço vermelho tão somente no tempo da Revolução de 1930, quando membro e um dos líderes da Aliança Liberal (coligação oposicionista de âmbito nacional que lançou as candidaturas de Getúlio Vargas e João Pessoa à presidência e vice-presidência da República, contra Júlio Prestes). Sobre Antíocho é testemunha viva e ocular o General Ítalo Conti, personagem ilustre do Paraná, residente em Curitiba, conforme declarou em entrevista ao jornal O Comércio de União da Vitória em 04 de Junho de 2008, disponível na internet através do link a seguir (www.ocomercioweb.com.br/noticias01.php?id=25).

Está em meu poder um vastíssimo catatau de documentos que pertenceu ao meu bisavô, incluindo centenas de livros que pertenceram a sua valiosa biblioteca. Analisando as peças deste “quebra-cabeça”, destaco os tópicos que tenho condições de provar documentalmente até o momento:

1) ANTÍOCHO PEREIRA (PARANAGUÁ-PR, 1881 – PORTO ALEGRE-RS, 1951), era filho do primeiro farmacêutico diplomado da antiga Província do Paraná, além de jornalista, abolicionista e republicano Fernando Machado Simas e de D. Escolástica Pereira Alves (esta, filha de Manoel Antônio Pereira Alves e Escolástica Maria de Lacerda, era sobrinha-neta do último Capitão-Mór e primeiro prefeito de Paranaguá Manoel Antônio Pereira e bisneta do último Capitão-Mór de Antonina Manoel José Álvares). Assim, Antíocho era ligado pelo sangue a inúmeras figuras de prestígio do cenário paranaense e brasileiro, como o Barão do Serro Azul, o Conselheiro Dr. Manoel Francisco Correia Netto, à família Leão, aos irmãos Conselheiro e Comendador Alves de Araújo, entre outros. Residiu da infância à idade adulta no Rio de Janeiro, onde procedeu seus estudos primário, secundário e superior. Cultivou amizades com figuras eminentes do cenário político e intelectual brasileiro. Trabalhou nos laboratórios do famoso Orlando Rangel, na antiga Capital da República. Era orador de palavra fácil, culta e fluente. Possuía estatura baixa, precisamente 1,56 m. de altura, porte elegante. Em 1909 muda-se para Curitiba, residindo junto de seu tio, o também farmacêutico e político Cypriano Gonçalves Marques, exatamente na Avenida Luiz Xavier esquina com Voluntários da Pátria (antiga Pharmacia Cypriano e atual Edifício Garcez). Em junho de 1910 contrai matrimônio em São José dos Pinhais com Maria Carolina Huergo, filha de Palemón Carlos María Huergo e Maria de Carvalho Huergo; era neta e afilhada de batismo de Dom Palemón Huergo, ex-presidente do Banco da Província de Buenos Aires, diplomata, político e famoso intelectual portenho. Antíocho, homem de letras, farmacêutico, botânico, político e estudioso árduo da história brasileira e também bibliófilo, qualidades estas que foram descritas pelo famoso médico e historiador Dr. Alvir Riesemberg (foi membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, assim como da Academia Paranaense de Letras) numa biografia inédita sobre meu bisavô, escrita entre 1971 e 1975, recém descoberta por mim. Sobre a biblioteca particular de Antíocho Pereira, disse RIESEMBERG: “...Foi lá que consultamos, pela primeira vez, a "Geographie Universelle", de Elisée Reclus. Entre os autores que nos interessava então, pudemos anotar Rui Barbosa. Alberto Rangel, Edmundo de Amissis, entre outros. Com acentuado pendor para o estudo da história, possuía neste setor uma série de excelentes monografias...”.

2) Ocorre a fundação do antigo núcleo colonial Cruz Machado em 19 de Dezembro de 1910 pelo governo federal.

3) Possuo uma declaração expressa, escrita em idioma polaco, datada de 07/02/1935 e registrada no livro de atas da ‘Sociedade Escolar Polônia’ (hoje, possivelmente inexistente) de que Antíocho Pereira prestou relevantes serviços à colônia polonesa durante vinte e quatro anos (ou seja, 1935 – 24 = 1911), ressaltando a sua passagem pela colônia Cruz Machado como funcionário da colonização. Possivelmente ele pode ter sido nomeado pela comissão colonizadora ao cargo de farmacêutico do núcleo. Estou liderando pesquisas a fim de localizar nos anais do governo federal tais nomeações e encontrar a realidade dos acontecimentos.

4) Na historiografia de Cruz Machado há relatos sobre a epidemia de tifo em 1911 e da gripe espanhola de 1918. Sobre o tifo, o jornalista Ulisses Iarochinski muito pesquisou, uma vez que o tema é a “coluna vertebral” de sua tese de doutoramento na Universidade Iaguielônia de Cracóvia. Aos interessados sobre os estudos de Iarochinski, podem acessar seu site (http://iarochinski.blogspot.com).

No que concerne à gripe espanhola de 1918, anotações do Dr. Alvir Riesemberg, publicadas no jornal Caiçara de União da Vitória em 20/02/1988, contam que “...a sua atuação em Cruz Machado foi verdadeira missão de sacrifícios. Culminou em 1918 com a grande epidemia de gripe que deixou um traço fúnebre à volta do mundo. Dia e noite Antíocho Pereira percorria as estradas vicinais da colônia e depois a Vila, como farmacêutico, médico e enfermeiro para salvar vidas...”.

Thadeu Krul, nascido em 1916, filho dos imigrantes Pedro e Bronislawa Krul e afilhado de batismo de meu bisavô, escreveu em 08/08/1976, no jornal O Estado do Paraná, um artigo sob o título ‘ANTIOCHO PEREIRA, UM HOMEM COMO POUCOS’, onde começa dizendo: “Vieram de longe. De muito longe. Eram aproximadamente cinqüenta famílias trazidas em duas levas por velhos navios alemães. O primeiro grupo chegou ao Brasil nos fins de 1911 e o segundo, do qual participou a família de mamãe, no começo de 1912. Todos vieram do município de Lublin...Terminada a quarentena na Ilha das Flores, foram conduzidos ao porto de Paranaguá. Dali seguiram por via férrea a Curitiba e daqui a Marechal Mallet, via Ponta Grossa...De Mallet foram levados em carroças até Cruz Machado, local designado para colonização...”. Krul reproduz o que lhe contava seu pai quando chegaram na colônia: “...Era uma cidade de indigentes no meio da floresta virgem. Cozinhava-se fora, porque dentro não havia lugar. Sentíamo-nos como sardinhas enlatadas. Quando chovia, o trabalho ao fogão era um das tarefas mais difíceis. Forneciam-nos feijão, arroz, banha e charque de gado, muitas vezes em mau estado. Na falta de hortaliças cozinhávamos o palmito. Não era mau. Não havendo vinagre adicionávamos erva silvestre, chamada azedinho. A falta de boa alimentação, a promiscuidade e o clima adverso, frio e muito úmido, deram origem a epidemias de toda espécie. Era a escarlatina, o escorbuto, o tifo e disenteria e, mais tarde, o reumatismo que deformava os membros. A morte ceifava sem piedade, deixando desesperados os pais, irmãos e filhos desamparados. Houve dias em que eram sepultados até dez cadáveres. Não se podia vencer a confecção de caixões mortuários e era difícil o material. Eram depositados dois corpos num caixão, principalmente quando eram crianças. Não havia uma família que não chorasse a perda de alguém. E quando, sob pressão, as autoridades começaram a nos deslocar para os lotes recém-medidos, tivemos que improvisar abrigos de galhos e pensar como resolver a situação no dia seguinte...”. Ao mencionar que as epidemias faziam devastação entre os colonizadores, aponta que Antíocho Pereira “...surgiu quando grassava a epidemia de gripe. Veio por ordem da comissão encarregada da colonização e mais tarde estabeleceu-se por conta própria, montando uma pequena farmácia...Salvou da morte dezenas de pessoas, inclusive meu pai. Seu trabalho era filantrópico, desinteressado, uma vez que os doentes não tinham com que lhe pagar os serviços prestados...”.

Então, Antíocho teria atuado tanto na epidemia de tifo em 1911 quanto na gripe espanhola em 1918? Ou apenas na época do tifo? Ou somente ao tempo da espanhola? Ficam aí as interrogações para serem respondidas com precisão pelos que se dedicam à impenitente investigação histórica.

 



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 15h29
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O HERÓI DE CRUZ MACHADO (continuação).

5) Em 1920 já era proprietário da Farmácia União situada em Porto União-SC, ao contrário do que já foi registrado na historiografia de que ele inaugurou a farmácia em 1924. Está em meu poder um livro de registro das receitas médicas aviadas no estabelecimento citado, já sob a responsabilidade de Antíocho Pereira, autenticado pela Diretoria da Higiene em 20 de março de 1920.

6) Em 28 de outubro de 1930 foi nomeado pelo então governador de Santa Catarina, à época chamado de Interventor Federal, General Ptolomeu de Assis Brasil, ao cargo de Prefeito Provisório de Porto União. Assinaram o documento de posse Assis Brasil e seu substituto Manoel Pedro da Silveira.

7) Em 20 de abril de 1933, no gabinete do executivo municipal, Antíocho Pereira redige um ofício ao Cel. Aristiliano Ramos, que na data ocupava o posto de Interventor do Estado de Santa Catarina, pedindo demissão ao cargo de prefeito do município. Deixou a prefeitura em 24 de abril de 1933, substituindo-lhe o Cel. Francisco Octaviano Pimpão.

8) Meu bisavô atravessa dificultosos revezes após estes três anos dedicados exclusivamente à administração pública, revolucionando aspectos urbanísticos, culturais e educacionais da cidade de Porto União, uma das mais importantes cidades catarinenses naquele contexto. Antíocho retorna, enfim, olhares aos seus bens particulares. “...Farmacêutico de reconhecido valor, levou-lhe os recursos a tentadora política...num tempo em que muito puderas ter aproveitado...”, escreveu Hermínio Milis em ‘AO CORRER DA PENA’, publicado no jornal Folha do Povo em 07/05/1944. Na cidade de Curitiba, Antonio Castilho de Almeida, publica um artigo em 17/06/1933 no jornal Gazeta do Povo sob o título ‘DUAS SINGULARIDADES...FRANÇA E BRASIL’, pelo qual demonstra a notabilíssima semelhança entre a situação econômica pós-governo de Antíocho Pereira congênere a de Raymond Poincaré, astro da política francesa, ex-presidente do seu país e advogado de primeiro quilate. Ambos despiram-se dos seus interesses particulares para dedicarem-se à vida pública. Vivenciaram momentos ímpares, repletos das maiores oportunidades, instantes em que lhes passaram pelas mãos grandes fortunas, fato que indiscutivelmente é realidade para qualquer homem público. Poincaré militou magistralmente na advocacia e conquistou respeitável estofo monetário. Porém, a política e os serviços do Estado atraíram e absorveram-no de tal sorte que, ao deixar o governo pela última vez, viu-se paupérrimo. Na tentativa de retomar a banca de advocacia, não encontrou, sequer, a sombra da antiga clientela. Sobre o caso brasileiro diz Castilho de Almeida: “...Entrou para a prefeitura como farmacêutico que era. Tinha sua farmácia bem sortida e boa freguesia...O que aconteceu a Antioco Pereira? Segundo é notório aqui, e pelo que eu ouvi de sua própria boca em discurso que proferiu na ‘Sociedade Operária’, esse cidadão voltando a atenção para seus bens particulares encontrou a farmácia vazia. Fregueses? Quem disse...Até a própria casa já não era mais sua...”. É neste ano de 1933 que vende sua farmácia ao cidadão Willy Frederico Jung. Diante destes acontecimentos comprovados, poder-se-á explicar um fato conhecido pela tradição oral e registrado por Thadeu Krul na fonte supra citada, relativo à retribuição dos amigos poloneses em face de sua benemerência e às inúmeras ações filantrópicas por ele praticadas tempos dantes, agraciando-lhe com uma espaçosa casa de madeira em União da Vitória, ação esta que foi motivada, com toda a certeza, após verificarem a deficitária situação patrimonial do seu “herói maior”, recém saído das lides políticas. Possuo uma planta, datada de 27/03/1937, assinada pelo construtor Gino Strobino, referente a um aumento da casa de madeira de propriedade de Antíocho Pereira, situada na esquina da então rua Visconde de Nácar (depois Av. Manoel Ribas) com a Dr. Clotário Portugal.  Eis a questão: Será esta a casa de madeira presenteada pelos poloneses a meu bisavô após os acontecimentos de 1933 e possivelmente, já em 1937, com as finanças já equilibradas, estaria ele efetuando o aumento da sua residência? Ou os poloneses contribuíram para esta reforma? Até o presente instante, não tenho estas respostas concretas.

SOBRE O TERRENO: Está em minhas mãos, também, uma carta de transferência imobiliária datada de 08/04/1937, em que o lote de terreno nº 35, dotado de 22 metros de frente e fundos correspondentes, situado na esquina das atuais ruas Manoel Ribas e Dr. Clotário Portugal, é transferido a Antíocho por seu irmão Epaminondas Pereira (conhecido odontólogo da história de Paranaguá).

9) O Consulado Geral da República da Polônia em Curitiba, através do ofício nº 416-Br/33, de 21 de Setembro de 1937, assinado pelo Cônsul Józef Gieburowski, comunica que o governo polonês conferiu-lhe a Ordem Cruz de Mérito, cuja insígnia está em meu poder.

10) Após deixar a prefeitura, de acordo com os documentos que possuo, exerceu os seguintes cargos públicos, listados em ordem cronológica:

Em 15 de Maio de 1933 é nomeado pelo então Juiz de Direito da Comarca de Porto União Dr. Alcino Caldeira, ao cargo Depositário Público do Juízo de Direito da referida comarca.

Através do Decreto nº 1.808 de 30 de julho de 1934, o governo do Estado do Paraná, representado na pessoa do seu Interventor Federal Manoel Ribas, nomeia-o ao cargo de Inspetor Escolar do então distrito judiciário de Cruz Machado.

No dia 31 de Julho de 1934, é nomeado pela Prefeitura Municipal de União da Vitória ao cargo de agente fiscal municipal do distrito de Cruz Machado.

Aos 11 janeiro de 1935 é nomeado pelo Interventor Federal do Estado do Paraná Manoel Ribas, sob proposta da Chefatura de Polícia, ao cargo de sub-delegado de polícia do distrito de Cruz Machado, nesta época situado no município e comarca de União da Vitória.

Em 01 de julho de 1939 foi empossado ao cargo de Promotor Público interino da comarca de União da Vitória, durante as férias regulamentares do efetivo Dr. Almir Miró Carneiro.

 

Meu objetivo através desta explanação foi corrigir alguns erros cometidos pelo filme acima referido, sem jamais tentar elevar-me num pedestal e coroar-me, em seguida, com a soberba. O propósito destas linhas reafirma-se na elucidação dos acontecimentos, descrevendo fontes primárias e secundárias, apresentando a complexidade dos estudos históricos, fixando dados comprovados e reforçando as hipóteses e interrogações ainda não respondidas com exatidão por meio das exaustivas pelejas historiográficas. Todavia, cumprimento a Rede Paranaense de Comunicação (RPC), o diretor do filme Guto Pasko e, principalmente, os atores Lício Ferreira, Nice Novak e outros, os quais, com a visível vibração dos seus corações abertos e dedicados, empenharam-se ao cumprimento de todas as lições da Arte de Representar, transmitindo aos espectadores um pouco daquelas amargas sensações que remontam as linhas originárias do antigo núcleo colonial Cruz Machado e a proficiência heróica do habilidoso farmacêutico.

Os leitores que desejarem contribuir para o aprofundamento deste assunto, bem como sobre a figura de meu bisavô (o qual venho pesquisando há alguns anos) poderão contatar-me através deste Instituto ou, se preferir, através de meus correios eletrônicos (acervofabiopereira@hotmail.com) ou (fabio@reflorest.com). De antemão, profundamente agradecido.

 

ABAIXO, MAIS SOBRE ANTÍOCHO PEREIRA.

 



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 15h27
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HOMENS DA HISTÓRIA

Antíocho Pereira

     BIOGRAFIA INÉDITA ESCRITA, ENTRE 1971 E 1975, PELO FAMOSO MÉDICO E HISTORIADOR PARANAENSE DR. ALVIR      RIESEMBERG

Da nobre galeria dos homens que, com dignidade e devotamento, modelaram a fisionomia da cidade, foi Antíocho Pereira uma das figuras mais marcantes. Dotado de extrema sensibilidade para os fatos sociais, seu espírito captava no nascedouro as aspirações populares, e, inteligência viva e ânimo infatigável, procurava interpretá-las de pronto, e coá-las, e dar-lhes formas e vidas.

Não queremos dizer com isto que ficasse à margem da corrente, como caçador sutil de ideais e sentimentos. Não. Ele rodava na corrente, intimamente agregado a ela, como fração do seu pensamento, como partícula do seu sentir, sem dúvida fração mais pesada, partícula mais viva, mas sempre corrente. Agia em função do povo, como povo e para o povo. Daí, certamente, o sucesso das suas realizações.

Conhecêmo-lo por volta de 1925, como presidente do "Clube Cruzeiro do Sul", ali na esquina que a rua 15 de Novembro faz com a praça Hercílio Luz, onde hoje está o "Bar do Lucas".

Fazemos questão de focá-lo já neste primeiro encontro porque pretendemos demonstrar, ao longo da sua atuação na vida da cidade, o que acabamos de afirmar de sua personalidade.

Com a solução da questão de limites entre o Paraná e Santa Catarina, partida a cidade ao meio, o "Clube Apolo" centro de reação paranista, e que ficava do lado de lá da linha ferroviária, incontinente transferiu sua sede para o lado do Paraná. Em consequência, fundou-se no lado catarinense o "Clube Sete de Setembro". Embora o seu objetivo fosse coligar num sentimento nacional a população das duas cidades, como o seu nome estava a indicar, não tardou que aquela agremiação se fosse extremando em tendências catarinenses, de modo a se formarem duas alas políticas. Não obstantes estes pendores se definirem apenas através dos espíritos mais exaltados, o grosso da população sentia-se enleado em relação aos dois clubes, propendendo para uma neutralidade tranquila.

É então que Antíocho Pereira transfere sua residência do distrito de Cruz Machado, onde exercia as funções de farmacêutico da colônia, para a sede do município. Integrando-se no sentimento popular dominante, assumiu a presidência do "Clube Cruzeiro do Sul" onde as tendências do povo mais amplamente se definiam, dando-lhe maior projeção. O "Clube Cruzeiro do Sul", abrindo as suas portas a ambas as correntes, desempenhou, assim, notável função de harmonização político-social da população das suas cidades, conduzido pela admirável compreensão de Antíocho Pereira.

Em 1928 assumiu a prefeitura de Porto União, sucedendo ao benemérito cidadão Hermenegildo Marcondes, o dr. Eurico Borges dos Reis, engenheiro da "Lumber Colonization Company".

Após haver recortado os arredores do município em lotes coloniais, da parte daquela companhia, procurou o dr. Eurico Borges dos Reis, como prefeito, localizar colonos na zona dividida. Para isto, tentou demonstrar, através de uma grande exposição agro-industrial, as possibilidades econômicas da região. O ilustre prefeito, a cuja posse assistimos, confiou a execução daquele empreendimento a uma comissão chefiada por Antíocho Pereira, cujo tato e cuja capacidade de realizar já havia percebido.

O que foi a exposição de 1928, organizada sob a orientação de Antíocho Pereira, e com a colaboração técnica dos engenheiros Willy e Carlos Intorp, atestam-no as fotografias da época e o incremento que teve a colonização do município. A propósito desta realização, cumpre lembrar a ajuda não menos preciosa de outro cidade a quem Porto União muito ficou a dever - o sr. Afonso Ligório de Assis - que por muitos anos exerceu aqui as funções de tabelião.

A consolidação social do União Esporte Clube foi, indiscutivelmente, obra de Antíocho Pereira e representa mais um exemplo do seu senso social. Entretanto, a sua atuação ali teve sentido educacional. Ele via o esporte como elemento de educação popular. Para ele o esporte devia formar o corpo são para a mente sã, conforme o preceito grego, e desenvolver entre os atletas o sentimento da solidariedade social, preceito que o clube manteve até agora. Causou-nos estranheza, por isto, a fusão do União Esporte Clube com a Associação Atlética Iguaçu, duas quantidades heterogêneas que evidentemente não se poderão somar.

O Iguaçu, por sua constituição, não chega a ser um clube, na acepção exata do termo. É um simples quadro futebolístico, formado de elementos mercenários, sem nenhuma relação com o meio social.

Onde aquela sensibilidade de Antíocho devia manifestar-se mais plenamente seria no campo da política. E assim foi na verdade. Afinado com o espírito revolucionário nascido na escola Militar do Realengo, em 1922, em oposição à truculência das oligarquias dominantes, tão acoroçoadas no governo de Epitácio Pessoa, Antíocho Pereira sentiu até o foi a vibração daquele espírito, através de todas as peripécias por que passou. Quando, já nas vésperas da vitória final, tombou, como vítima, um dos baluartes daquele movimento - João Pessoa - Antíocho Pereira coordenou em uma homenagem ao grande morto o sentimento de repulsa que eclodiu na cidade. Tal foi a origem do belo monumento levantado às margens do Iguaçu em 1931, e reerguido pelo prefeito Raul Caus, há pouco, na Avenida Coronel Amazonas.

Antíocho Pereira interpretava, naquele momento, em toda a sua plenitude, o sentimento cívico da cidade.

Quando, por força da revolução de 1930, Antíocho Pereira exerceu as funções de prefeito municipal de Porto União, entre as obras de urbanização que realizou, figurou o primeiro ajardinamento da Praça Hercílio Luz. Foi este outro trabalho de grande significado social que lhe ficamos a dever.

Não havia um logradouro na cidade. A Praça Coronel Amazonas, a única que poderia merecer este nome, era um sítio sombrio e distante, e dificilmente acessível nos dias de chuva. Antíocho Pereira, pôs recantos de sombra na aridez do largo da estação. Levantou sebes, traçou caminhos, floriu canteiros, oferecendo à população um recanto de verdura e de perfumes. Ao lado da praça estabeleceu-se desde logo o tradicional "footing" da cidade, onde a sociedade reunia às quintas-feiras, aos sábados e aos domingos à noite para o passeio arejante e para o contato social.

Mas, quem era, afinal, este homem, que tão profundamente sulcou a sociedade local?

Antiocho Pereira era natural de Paranaguá. Exercia a profissão de farmacêutico, que aprendera com seu irmão, o emérito jurisconsulto Hugo Simas, o qual, antes de subir à cátedra do Direito, praticara a farmácia, em que se havia formado pela Universidade do Paraná. Por sinal, Antíocho brindou-nos um dia com um exemplar do "Traité des Urines", de E. Gérard, edição de 1913, que pertencera a Hugo Simas, e que traz na página de rosto, claramente escrita, a sua assinatura. Antíocho teve o cuidado de encadernar primorosamente o referido volume, gravando o nosso nome na lombada. Entramos neste detalhe para evidenciar mais um predicado deste amigo, o do exímio artista gráfico. Deste atributo passamos, por correlação, a outro, em que a sua atividade se expandiu benéficamente: o jornalismo. Com efeito, ele colaborou profundamente na imprensa local, destacando-se sobretudo no setor agrícola. Ministrava aos lavradores as mais variadas informações, estimulando iniciativas, mostrando novos rumos. Lembramo-nos ainda do "Concurso do Melão", instituído por ele com a finalidade de implantar o cultivo da deliciosa cucurbitácea na região. Isto nos leva a falar também na sua biblioteca, uma das melhores da cidade. Foi lá que consultamos, pela primeira vez, a "Geographie Universelle", de Elisée Reclus. Entre os autores que nos interessava então, pudemos anotar Rui Barbosa. Alberto Rangel, Edmundo de Amissis, entre outros. Com acentuado pendor para o estudo da história, possuía neste setor uma série de excelentes monografias. Da biblioteca de Antíocho possuímos cerca de uma vintena de volumes, alguns ofertados por ele próprio e outros por sua família, após a sua morte.

Mas voltemos ao farmacêutico, profissão que exerceu durante longos anos.

Aqui Antíocho se revelou um verdadeiro sacerdote. Nunca pensou fazer deste nobre mister exclusivamente um meio de ganhar dinheiro. Os seus almofarizes e as suas pipetas serviram a uma finalidade precípua - "sedare dolorem", segundo o preceito de Hipócrates. A sua atuação em Cruz Machado foi uma verdadeira missão de sacrifício. Culminou em 1918, durante a grande epidemia de gripe que deixou um traço fúnebre à volta do mundo. De dia e de noite Antíocho percorria as vicinais da colônia como farmacêutico, como médico, como enfermeiro. A sua solicitude salvou milhares de vidas. Tivemos oportunidade de assistir, na sala do fórum de União da Vitória, então localizado no prédio da Prefeitura Municipal, à condecoração de Antíocho Pereira, pelo governo da Polônia, através de enviado especial, pelos relevantes serviços prestados aos colonos poloneses de Cruz Machado. Foi uma solenidade tocante. Aquele homem de estatura pequena e tão modesto no aspecto ia crescendo aos olhos dos assistentes, ao desenrolar da mensagem que o emissário polonês ia lendo. E a sua reação, tão simples e tão sincera como a sua própria pessoa, foi uma orvalhada do olhar que, percebia-se, voltava-se para as linhas de Cruz Machado, onde a doença, naqueles dias dolorosos, andara a fechar portas...

ALVIR RIESEMBERG, MÉDICO E HISTORIADOR. ERA MEMBRO DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO PARANÁ E DA ACADEMIA PARANAENSE DE LETRAS.

ESTA BIOGRAFIA INÉDITA DE ANTÍOCHO PEREIRA FOI ENCONTRADA EM UNIÃO DA VITÓRIA NOS GUARDADOS DA SRA. MARIA DALUZ AUGUSTO (LULU AUGUSTO), FILHA DE DÍDIO AUGUSTO. FONTE: http://www.jornalcaicara.com.br/informal26-03-2010.html



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 00h08
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AINDA SOBRE ANTÍOCHO PEREIRA

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE ANTÍOCHO PEREIRA A PARTIR DO AUTOR DESTE BLOG, BISNETO DO PERFILADO:

         Antíocho Pereira nasceu em Paranaguá em 15/10/1881. Filho de Fernando Machado de Simas e de D. Escolástica Pereira Alves. Neto paterno de Manoel Ignácio Simas e D. Francisca Romana Falcão e Simas; e pelo lado materno, do empresário e capitalista Manoel Antônio Pereira Alves e de Escolástica Maria de Lacerda.

        Batizado na cidade natal em 1883, sendo seus padrinhos o histórico Cel. Maurício Sinke e a professora de primeiras letras Maria Theodora dos Anjos (citada na historiografia parnanguara como “Mariquinha Theodora”, como era chamada por seus contemporâneos). Ainda criança, pelos idos de 1886/1887, transfere residência com a família para Petrópolis e depois para o Rio de Janeiro. Antíocho estudou na Escola Primária do professor Antônio Teixeira da Cunha, do qual recebeu um livro de prêmio por estudos neste estabelecimento em 1889 (livro este que está em meu poder). Era esta a escola primária do “professor Cunha”, assim chamado por Hugo Simas, que também freqüentou este estabelecimento de ensino, conforme o mesmo citou em escrito intitulado “Uma página de minha vida: Eu era o Lopes”, cujo original datilografado por Hugo Simas guardo comigo.

         Hugo Simas diplomou-se em farmácia pela Faculdade do Rio de Janeiro em 1904 e em Direito, na mesma instituição, no ano de 1908. Na biblioteca de meu bisavô encontrei um exemplar da revista “A EPOCHA” (revista dos acadêmicos da então Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro), datada de 1907, em cuja edição Hugo Simas, então aluno do 4º ano, era articulista (escreveu artigo “A Cirurgia e o Direito”) e membro da comissão de editoração da revista, ao lado de contemporâneos ilustres, entre os quais Amarílio de Noronha, Maurício de Lacerda (pai de Carlos Lacerda), Hermano de Villamor Amaral, Leão Vellozo Netto (famoso diplomata) e outros.

         Antíocho Pereira viveu no Rio da infância à idade adulta, transferindo residência para Curitiba em 1909. Na antiga Capital Federal, sempre adepto do cultivo do intelecto, conviveu e conheceu figuras expressivas da intelectualidade nacional, entre eles Olavo Bilac, Barão de Loreto, Ruy Barbosa e outros. Era primo e conterrâneo de Leôncio Correia, paranaense que destacou-se profundamente nos salões culturais do Rio de Janeiro.

         Contraiu núpcias em São José dos Pinhais-PR no dia 18 de Junho de 1910 com Maria Carolina Huergo (1881-1980), minha bisavó, provinda de família da aristocracia portenha. Era filha de Palemón Carlos María Huergo e de Dona Maria de Carvalho Huergo, sendo neta paterna e afilhada de batismo de Dom Palemón Huergo, natural de Buenos Aires, empresário, escritor em verso e prosa, diplomata, banqueiro, presidente do Banco da Província de Buenos Aires (Bapro), jornalista, figura expressiva do passado argentino. D. Palemón Huergo, nascido em 1817, estudou nos EUA, França e Inglaterra.  Era concunhado do ex-presidente da República Argentina Nicolás Avellaneda. Oficial-Maior do Ministério das Relações Exteriores do seu país, representou a Argentina em diversas missões diplomáticas, chefiando, inclusive, a Legação argentina em Londres. No ano de 1855 publicou um livro intitulado “Cuestiones Políticas y Econômicas”, até hoje citado em obras relacionadas a assuntos políticos e econômicos latino-americanos. Em Paris, no ano de 1867, publicou um volume de poesias sob o título “Poesías”. Palemón Huergo é citado, devido à sua atuação diplomática, no Catálogo do Visconde do Rio Branco (pai do Barão do Rio Branco). Exerceu a presidência da Companhia Ferrocarril do Oeste, pioneira dos transportes ferroviários na Argentina.

        Antíocho faleceu na cidade de Porto Alegre-RS, em junho de 1951, mesma cidade, onde, por coincidência, falecera em 1932 o seu padrinho de batismo Maurício Sinke (personagem ilustre da história empresarial e política do Paraná).

 



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 01h55
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Você sabe o que foi a “Pedra da Gazeta”?

A “Pedra da Gazeta” reinava na Rua XV e foi um elemento vinculado ao costume de boa parte dos cidadãos da capital paranaense dos anos 20, 30 e 40...afinal, todo o bom e legítimo curitibano, de nascimento ou "naturalizado", tinha e ainda tem que figurar como transeunte da Rua XV, principalmente naquele pedacinho famoso e tradicional: a Boca Maldita, onde a efervescência intelectual ainda vive regada a uma boa rodada de cafezinhos.

            Tudo começou assim: em 1923 a Gazeta do Povo teve sua sede estabelecida na XV de Novembro. Por idéia, um brilhante alento na verdade, brotado na mente de algum membro da equipe do jornal, ficou decidida a colocação, no lado de fora do prédio da redação, um tampo de mármore destinado à fixação de avisos de última hora, notícias de primeira mão e informes fúnebres. Como as notícias eram “frescas”, colhidas do rádio e dos telegramas das agências de notícias, seguindo imediatamente para a PEDRA, sobrelevando a atualização constante - “um dinâmico upgrade!” falar-se-ia nos tempos modernos-, este espaço conquistou inúmeros leitores, criando certa fama pela agilidade na transmissão das informações. Os papéis onde eram escritas as notícias (manuscritas pelos próprios jornalistas), eram extraídos das próprias bobinas da rotoplana que imprimia o jornal.

            Lauro Grein Filho, médico conceituado e talentoso cronista, no seu livro COISAS NOSSAS –CRÔNICAS, descreve à página 134 sob o título A Gazeta e O Dia, o seguinte: “A pedra da Gazeta era importante por sua veracidade e foi nela que, numa radiosa manhã de 10 de Novembro de 1937, entre um grupo inquieto e curioso, li e reli o golpe de Getúlio implantando o Estado Novo e numa noite de 28 de setembro do mesmo ano o ‘infausto passamento’ do mestre Dario Vellozo...”.

            Depois de certo tempo, a sede da Gazeta do Povo saiu da rua XV, e a “pedra” foi junto. Desencadeou uma situação “Cadê a pedra da Gazeta?” dentre os leitores cativos daquele mural noticioso, então localizado numa rua movimentada, palco de encontros e das mais elevadas discussões literárias e políticas, recanto de intelectuais, jornalistas e políticos. No artigo O que foi a pedra da Gazeta? autoria do ilustrado Valério Hoerner Júnior, menciona: “Para o pacato povo curitibano, ficou meio contramão o local das novas instalações...A freguesia da pedra ficou por assim dizer desamparada. Os comunicados e notícias de última hora perderam a desejável mobilidade. As informações demoravam a chegar. Mesmo os arautos mais dedicados, contumazes freqüentadores da pedra, passaram a sofrer nas mãos dos ouvidores e analistas das "novas", em geral reunidos em pequenos grupos nas esquinas, nas portas dos cafés e principalmente na porta do CAFÉ ALVORADA*, situado também naquele miolo de rua. É que apenas a palavra dos arautos não valia, careciam eles de credibilidade, garantida pela Pedra da Gazeta. Ouvida a notícia, qualquer que fosse e que interessasse, era imediata a confirmação na pedra. Aí sim, o assunto se revestia da condição implacável de verdade... Era emergente dar solução ao caso. E a luminosa idéia não tardou a surgir: o granito que recobria a fachada do Café Alvorada. Mas como as notícias não eram com a mesma atenção fornecidas pelos jornalistas da Gazeta, passou a ser alimentada por quem o desejasse, contanto que fosse respeitado o caráter do assunto, proporcionando personalidade à nova pedra. Não seria qualquer bobagem a ser ali anunciada. Se de vez em quando algumas delas apareciam, davam sumiço logo. E qualquer um podia fazer isso porque, nesse ponto, os populares tinham senso de responsabilidade e do ridículo, virando tradição popular a afixação, principalmente, das notas de falecimento”.

            E, recentemente, pelos idos de 2004, Anthony Leahy, baiano apaixonado pelo Paraná, considerado curitibaiano, atualmente a frente do Instituto Memória, resgatou as tradições da pedra através do extinto site Pedra da Gazeta, veiculando artigos e notícias sobre tudo o que dizia respeito à cultura paranaense e suas variadas matizes.

NOTA: O CAFÉ ALVORADA, o primeiro recanto curitibano onde era possível tomar um cafezinho em pé, foi construído em 1941 (na Travessa Oliveira Bello nº 38, na Boca Maldita) com fachada em granito a fim de preservar a tradição da “pedra”; foi fundado pelo empresário e ex-presidente do Clube Atlético Paranaense Sylzeu Correia Pereira Alves, com o qual compartilho tradições de família.



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 01h35
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MEMÓRIA

UMA COMPANHIA DE SEGUROS

                Extraímos este flagrante histórico da famosa revista CARETA (que circulou no Brasil entre 1908 e 1960), especificamente a edição de 18/01/1930 (nº 1126). A fotografia, datada de 02 de Janeiro de 1930, é alusiva à fundação da histórica Companhia de Seguros Novo Mundo, cuja luxuosa sede foi situada na antiga R. General Câmara nº 71 (rua que desapareceu com a abertura da Presidente Vargas), no Rio de Janeiro. A empresa era presidida por Victor Fernandes Alonso (1º da esquerda para a direita), auxiliado pela experiência do seu diretor-gerente Pedro da Silveira de Magalhães Coutinho (2º), subsidiado pela orientação jurídica e legal do meu histórico tio-bisavô, o jurista e maritimista Dr. Hugo Gutierrez Simas (3º da esq. p/ dir., que ocupou o cargo de Diretor-Secretário da empresa) e pelo Dr. Álvaro de Almeida Campos (4º, Superintendente). FONTE: ACERVO DIGITALIZADO DA BIBLIOTECA NACIONAL.



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 01h21
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GASTRONOMIA

GULA CARIOCA

PONTO 1: Um shot drink denominado Otávio Guinle, servido no Bar do Copa (bar do hotel Copacabana Palace). Trata-se de uma mistura de cachaça brasileira com creme de banana. Sabor incomparável. Otávio Guinle, distinto cavalheiro da aristocracia brasileira, foi um dos construtores e idealizadores deste hotel, tão glorioso quanto histórico, que é referência mundial.

PONTO 2: O chopp (claro e black) do Garota da Gávea é fenomenal. Dos melhores que existem na boa, velha e eterna ex-Capital da República, junto com o tirado no Jobi (Leblon) e nos quiosques da Brahma da orla de Copacabana.

PONTO 3: Alguns arriscam dizer que a picanha do restaurante-bar Braseiro da Gávea (Praça Santos Dumont, Gávea, Rio), é a melhor do Brasil, quiçá do mundo. Feita na brasa, é realmente fenomenal. Disse-me, certo dia, um dos garçons do estabelecimento, que um cidadão japonês viajou especialmente ao Rio de Janeiro depois de ler uma reportagem sobre a dita numa revista do seu país. O turista oriental chegou no estabelecimento com a publicação em mãos, fato que surpreendeu até mesmo os proprietários que jamais puderam imaginar esta referência num veículo de comunicação impresso do oriente. Até o café expresso do Braseiro merece aplausos.

PONTO 4: A Linzetorte (framboesa ou damasco) do Bistrô do Paço (Paço Imperial, Praça XV, Centro) é uma iguaria da culinária austríaca que eleva o paladar através das suas incomparáveis notas de especiarias e conjunção de sabores.

PONTO 5: A churrascaria Porcão Rio’s, unidade do Aterro do Flamengo, é única e não cogita-se comparações. Se tiver sorte de conseguir uma mesa com vista, melhor ainda. Visualiza-se a movimentação de pousos e decolagens do aeroporto Santos Dumont, os veleiros e demais embarcações na majestosa Guanabara e a natureza exuberante daquele ponto sagrado da paisagem do Rio.

PONTO 6: O famoso Celeiro da Dias Ferreira (Leblon), aqui já referenciado outras vezes, especializado em comida orgânica. É tido como o  buffet mais caro do Rio.

Afinal, gastronomia também pode ser cultura!



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 01h17
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CONTATO

Para entrar em contato basta enviar um e-mail para:

 

acervofabiopereira@hotmail.com

OU

 

layoutcultural@hotmail.com



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 17h44
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REFLEXÃO INTELECTUAL

“Possuidor de cultura variada e sólida, criou inúmeros neologismos que opulentam seus trabalhos literários, quer históricos, quer ficção. Empregou, ainda, termos em desuso e os pôs em circulação, pois dizia ser a nossa língua muito rica e que, por isso mesmo, os escritores deviam usar, também, de palavras pouco conhecidas, para as irem tornando dia a dia mais acessíveis. Sua prosa recomenda-se pelo brilho e exuberância do dizer, além da fidelidade aos assuntos que versa. Tinha a preocupação da fórmula vernácula, mas sem a subserviência da imitação...”, escreveu o filólogo e pesquisador Capitão-de-mar-e-guerra Loé Gutierrez Simas sobre a produção literária do grande escritor brasileiro ALBERTO RANGEL, no artigo Pequenas Notas ao Vocabulário de Alberto Rangel, publicado na Revista Brasileira de Filologia (Vol. 3, Tomo 2, Rio de Janeiro, Dezembro 1957).

Desta asserção surge-nos um ponto de reflexão para voltar olhares à riqueza da nossa língua, atualmente deturpada por gírias espúrias que recebem acolhida fácil no vocabulário popular, principalmente nos núcleos humanos desprovidos de preparo e dotes culturais. Estas aberrações são hoje em dia embaladas pela grande mídia auriverde, destacadamente a televisiva na sua maratona árdua por audiência e faturamento, gerando, infelizmente, para satisfazer o paladar das massas, uma excepcional baixa qualidade de programação, excluídas as devidas exceções. Uma revolução cultural é necessária: oferecer às massas um lauto banquete ao intelecto (acesso às informações, capacidade de compreender-interpretar linguagens e senso crítico –criticismo-) para libertar o povo das tantas ignorâncias, ilusões, amarras e ludibriamentos que o acompanham há milênios. Aí sim, um Brasil, um Mundo Novo estaria germinando. Quantos indivíduos de talentos adormecidos e mentes brilhantes vivem hoje mundo a fora imersos em mediocridade e analfabetismo, ofuscados pela falta de incentivo, carência de alicerces para prosperar, no tropeçar constante em suas próprias pendências? Muitos, com certeza.

Todo este meu discurso pode ser utópico na ótica de efetivar resultados, restando admitir um tempo “x” para esta evolução humano-intelectual. O importante é agir sempre, na busca incessante pela reciclagem necessária, ora demonstrada e clamada!



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 17h25
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RARIDADE

Die Blutpropheten des Contestado (Os profetas sanguinários do Contestado) de F. W. Richter.

           Aos distintos leitores de todas as semanas, trago à luz da evidência mais uma peça autenticamente rara da minha coleção particular.

A obra DIE BLUTPROPHETEN DES CONTESTADO (capa estampada acima) escrita por Friedrich Wilhelm Richter, foi impressa em Porto Alegre-RS na Companhia Metzler, sem data expressa no livro. Após algumas investigações encontrei o ano de 1933 atribuído à presente edição. Todo em idioma alemão e com ilustrações do próprio autor, as 142 páginas trazem uma abordagem factual de todo o movimento milenarista-messiânico na região do litígio territorial entre Paraná e Santa Catarina,  desencadeando na “Guerra Santa do Contestado” ou, simplesmente, Guerra do Contestado.

O referido livro foi traduzido ao português pelo filho do autor, Henrique Richter, merecendo uma brochura em 1993 (OS PROFETAS SANGUINÁRIOS: A TRISTE HISTÓRIA DE BANDITISMO NO SUL, 125 páginas) impressa pela Graficaldas na cidade de Caldas Novas-GO. Esta tradução, apesar de pouco antiga, já constitui-se num livro raro como o primeiro, certamente por sua tiragem limitada.

            Até o presente momento não localizamos a edição original constando no acervo de nenhuma biblioteca pública ou institucional brasileira com banco de dados disponível para consultas via internet. Verificou-se, portanto, entre as bibliotecas informatizadas do mundo, que a obra aparece somente na Deutsche Nationalbibliothek sediada em Frankfurt (Alemanha).

            Abordarei mais detalhes do precioso e pouco conhecido livro de F. W. Richter em próximos tópicos.



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 17h22
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NAS ENTRANHAS DA HISTORIOGRAFIA

Uma biblioteca particular

         Para que serve o conhecimento da ciência chamada História? Satisfazer uma vaidade pessoal de parecer “repleto de cultura” e “superior à maioria”, ser rotulado de “chato” ou algo que o valha pelos que não apreciam este ramo do saber, ou para encontrar uma explicação concreta, sob a ótica humano-científica, do habitat que nos envolve? Se a existência das espécies e os inúmeros fenômenos da natureza encontram sua razão de existir nas ciências naturais, todo o patrimônio de ações do homem, que para nós na vida cotidiana pode parecer corriqueiro, tem uma explicação. Já parou para pensar por que o endereço que você mora ou trabalha tem aquele determinado nome? Por que o Estado e o país em que reside leva consigo aquela denominação “x” ou “y”? As respostas destas inferências encontram acolhimento na ciência histórica, auxiliada por suas ciências afins, como a genealogia, antropologia, arqueologia e a filologia.

Sempre atento aos sebos, leilões de antiguidades, antiquários e organismos correlatos pelo Brasil e exterior, onde aquisições constantes são concretizadas, empreendimento este que pode apresentar-se dinâmico a todo o momento com os predicados da internet, estou, sempre que possível, investido na formação de um acervo particular que já se constitui de razoável corpo. O embrião inicial foi um contingente de bibliográfico, iconográfico e manuscrito herdado de meu bisavô Antíocho Pereira¹.

          Na minha biblioteca, os livros, em sua maioria de ciências humanas, podem ser divididos nas seguintes categorias: novos, esgotados e raros. Nas ciências naturais, com destaque para a medicina, farmácia e botânica, os livros do acervo provém da BIBLIOTECA ANTÍOCHO PEREIRA, onde repousam centenas de volumes dos séculos XIX e primeira metade do XX, dentre os quais podemos ilustrar:

1) Tese intitulada “DAS INCOMPATIBILIDADES EM FARMACOLOGIA” (162 páginas, Rio de Janeiro, 1885) autografada por seu autor Dr. José Maria Teixeira, personagem eminente da medicina brasileira, natural do Rio, membro titular da Imperial Academia de Medicina (hoje Academia Nacional de Medicina), catedrático destacado, reputado homem de ciência, falecido na sua cidade natal em 28 de maio de 1895. Esta foi sua tese de concurso à vaga de professor (na época denominado lente) da cadeira de farmacologia e arte de formular da gloriosa Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, instituição bicentenária, que desde 1808 é centro de excelência no país. Foi aprovado e começou a lecionar a matéria em 1886.

 

2)ATLAS COLORIÉ DES PLANTES USUELLES” (Paris, 1901) autoria de C. Hoffmann (professor da Escola Superior de Farmácia de Paris), raridade das bibliotecas botânicas mundiais.

 

3)ÁLBUM DE ORCHIDÁCEAS BRASILEIRAS E O ORCHIDÁRIO DO ESTADO DE SÃO PAULO” (São Paulo, 1930) autoria de Frederico Carlos Hoehne.

 

           O setor iconográfico do nosso arquivo é formado essencialmente por gravuras, fotografias e postais do tempo da Belle Époque.

Várias curiosidades despontam em nosso baú, entre as quais:

- uma correspondência escrita pelo nacarino² Joaquim Américo Guimarães (patrono do Clube Atlético Paranaense) enviada a sua esposa;

- um cartão postal com vista estampada do saudoso Palácio Monroe da Cidade Maravilhosa escrito pelo ilustre “parano-carioca” Leôncio Correia, endereçado em 1906 ao ex-governador do Paraná Dr. João Cândido Ferreira (bisavô do meu primo Dr. Fernando Simas Filho e avô do memorável jornalista, advogado e empresário da comunicação Dr. Francisco da Cunha Pereira Filho) informando a passagem do Conselheiro Affonso Penna pelo Estado;

 

- recebido da primeira prestação da compra da Livraria da Impressora Paranaense, vendida pela Baronesa do Serro Azul (imagem abaixo). 

 

Esta semana encontrei um exemplar do ALMANACH PARANAENSE (Correia & Cia., Curitiba, 1900) –FOTO ABAIXO-, confeccionado pelas oficinas a vapor da Impressora Paranaense, neste tempo sob a razão social de Correia & Cia., sendo propriedade dos sócios Baronesa do Serro Azul (Maria José Correia), Dr. Francisco Ferreira Correia e Leocádio Cysneiros Correia (sobrinho da Baronesa, filho do Dr. Leocádio José Correia), todos membros das famílias Pereira e Correia originárias de Paranaguá. Na folha de rosto do referido almanaque, contém a seguinte dedicatória: “Ao venerando Desembargador Agostinho Ermelino de Leão; ao distinto neto do Capitão-Mór, oferece em o dia do seu aniversário, o parente e amigo Leocádio Correia. 25 de março de 1900”. A interessante referência “neto do Capitão-Mór” deve-se ao fato do Des. Agostinho Ermelino, tronco da família Leão do Paraná fundadora da famosa empresa ervateira, ser neto materno do último Capitão-Mór e 1º prefeito de Paranaguá Manoel Antônio Pereira (patriarca da família Pereira de Paranaguá junto do seu irmão Cap. Antônio José Pereira, da qual descendem os ramos Pereira Leão -família Leão-, Pereira Alves, Pereira Correia, Pereira Tourinho, que por sua vez dão origem a outros sub-ramos como os Guimarães Correia, Nácar Correia e Correia Fontana). A referida publicação constitui-se de vários anúncios de empresas paranaenses, parte literária (prosa e verso), charadas de época, horários de partida de trens, tabelas para cálculo de juros e câmbio, resumo meteorológico de anos anteriores e, inclusive, uma interessante e pouco conhecida partitura de uma valsa intitulada A IMPRESSORA, autoria de Leite Júnior, em homenagem à Correia & Cia. Possui vasta seção descritiva das comarcas e municípios paranaenses daquela época.

 

          E assim, pouco a pouco e com paciência, vamos deixando nosso arquivo particular cada vez mais obeso e com doses altas de objetos interessantes e importantes à historiografia nacional.                                        

¹: Antiocho Pereira (foto), paranaense de Paranaguá, farmacêutico e político que viveu e foi educado desde a infância no Rio de Janeiro (onde residiu com sua família) e que posteriormente atuou em União da Vitória e Porto União (PR-SC), era descendente de famílias de relevo político e social no seu Estado (filho de Fernando Simas –vide tópico Vinho de Mate e Glicerina; Licor de Mate - e de D. Escolástica Pereira Alves –esta, prima em segundo grau do Conselheiro do Império e último presidente da Província de Pernambuco, Dr. Manoel Alves de Araújo, natural de Antonina, assim como do Barão do Serro Azul –Ildefonso Pereira Correia- e seu irmão Conselheiro e Ministro do 2º Império Dr. Manoel Francisco Correia Netto).        

²: Nacarino foi um termo utilizado para designar os descendentes do ilustre Comendador Manoel Antônio Guimarães, depois Barão e Visconde de Nácar, figura eminente do empresariado e da política parnanguara e paranaense nos tempos do Império. Pode-se mencionar alguns nacarinos ilustres: Drs. Alô, Adir e Acir Guimarães; Dr. Abdon Guimarães Carneiro (Petit Carneiro); Senador Alencar Guimarães (Dr. Manoel de Alencar Guimarães); Cel. Adolpho Ribeiro Guimarães Filho (Adolfito Guimarães), entre outros.

 

 



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 03h35
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TEMPO DAS "PHOTOGRAFIAS"

FOTOGRAFIAS REVELADORAS

YONNE BELTRÃO FARIA, DEPOIS YONNE DE FARIA SARDENBERG.

FOTOGRAFIA DE 1916.

RUBENS BELTRÃO FARIA, BACHAREL PELA ANTIGA FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DO PARANÁ (HOJE UFPR), FALECIDO EM 1946, SOLTEIRO E SEM DESCENDÊNCIA.

Nos pertences do meu bisavô Antiocho Pereira (nascido em Paranaguá) encontrei duas fotografias a ele dedicadas, referentes aos então pequenos Yonne e Rubens (fotos acima), filhos do Dr. Raul de Almeida Faria e Maria Beltrão Faria. “Ao Antiocho e Exma. Esposa oferece a Yonne. Paranaguá, 23 de Agosto de 1916” e “...oferece o Rubens. Paranaguá, 23 de Agosto de 1916”. Eram vínculos de amizade e parentesco.

O Dr. Raul Faria, nascido em Curitiba, graduado em Direito, promotor público, advogado, jornalista, escritor em verso e prosa (assinava sob os pseudônimos Raul Faria ou Gastão Villar) era filho de Joaquim de Almeida Faria Sobrinho (conhecido por Presidente Faria, nascido na Lapa, bacharel pela Faculdade de Direito de São Paulo, foi presidente da Província do Paraná de 03 de maio de 1886 até 26 de dezembro de 1887 –sucedeu o Visconde de Taunay-, consagrando os seguintes marcos administrativos: fundação da Sociedade Propagadora da Erva-Mate e inauguração do serviço de bondes em Curitiba; exerceu, ainda, o cargo de Procurador Fiscal do Tesouro Geral, foi secretário do Museu Paranaense e faleceu em Paranaguá no ano de 1893).

Maria Beltrão de Faria, esposa de Raul, era filha do Desembargador Francisco da Cunha Machado Beltrão e da distinta senhora Rosa Gutierrez Beltrão (filha do patriarca da família Gutierrez do Paraná, o uruguaio D. Alexandre Gutierrez e de D. Guilhermina Correia Gutierrez, esta, natural de Paranaguá).

Sobre o paradeiro dos Beltrão Faria perguntei ao meu distinto parente Alexandre Fontana Beltrão (Alex Beltrão), bisneto do Barão do Serro Azul e ex-presidente da Organização Internacional do Café (International Coffee Organization, sediada em Londres), paranaense residente no Rio de Janeiro, que enviou o seguinte: ...vi o filme (O Preço da Paz) na casa da Marilita Carneiro (filha de David Carneiro) aqui no Rio. Tenho seguido o seu trabalho de bibliófilo e pesquisador histórico. Parabéns. As fotos de Yonne e Rubens, os dois falecidos há anos, tem grande interesse, pois morei vários anos com a tia Maria, e Rubens, Yonne, Nori e Cid eram irmãos...Yonne casou com o General Idálio Sardenberg (foi Presidente da Petrobrás a partir de 11/12/1958, permanecendo até o final do governo JK, além de Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas no governo Médici) e tiveram um filho, Sérgio, advogado. Rubens morreu tuberculoso. Cid (médico) foi para Caxias do Sul onde possuía um hospital. Nori era casada com Evelázio Bley e é mãe de Luís Ernesto Bley. Os Simas eram primos: Otto, Hugo –casado com Branca- era muito engraçado. Fui com ele e Branca até o seu sítio em Itaperuçu colher pêssegos e preparar compotas...”.

Aí está uma prova de como uma ou duas fotografias resultam em desdobramentos históricos, acontecimentos importantes, reconstituindo fatos por vezes esquecidos e ofuscados pelo tempo. Daí a importância da preservação deste tipo de material iconográfico. E você, caro leitor, o que tens nos vossos guardados? Desenterre os elementos, traga-os à evidência, reconstitua-lhes a história e registre-a. Assim se perpetuam as cinzas do nosso passado!



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 01h39
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CRIAÇÕES FARMACOLÓGICAS

Vinho de Mate e Glicerina - Licor de Mate.

 

     Acima, um anúncio extraído no antigo jornal Livre Paraná (o eco republicano), veiculado na edição de 23 de Outubro de 1886. Mostra duas criações do farmacêutico Fernando Simas, que foi o primeiro paranaense diplomado em farmácia (Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, turma de 1873) e proprietário da “Pharmacia Simas”, estabelecimento que foi fundado em Paranaguá e passou por Petrópolis-RJ e Rio de Janeiro (Largo do Rocio nº 9, atual Praça Tiradentes, no centro). Os produtos referidos eram criações farmacológicas que obtiveram aprovação da Junta de Higiene do Rio de Janeiro e o privilégio de invenção concedido pelo Governo Imperial. Além disso, foram premiadas na Exposição Industrial de 1882.

       O VINHO DE MATE E GLICERINA apresentava-se como sucedâneo do óleo de fígado de bacalhau, com a vantagem de possuir um sabor agradável e ser assimilado pelos estômagos mais delicados

O LICOR DE MATE apareceu como um magnífico licor de mesa que preservava todas as propriedades tônicas, diuréticas e aromáticas da erva-mate. Em meu arquivo particular, pesquisando nos manuscritos do meu trisavô, criador desta bebida, infelizmente não consegui localizar a receita original, o que demandará um tempo maior para investigar nos guardados de outros membros da família, bem como nos arquivos históricos da Junta de Higiene do Rio e nas concessões de privilégios de invenção do governo imperial brasileiro. Mas, buscando na internet, achei a receita seguinte:

INGREDIENTES: 1 litro de álcool 40º - 500 gramas de erva-mate em folhas - 1,5 litros de calda.

PROCEDIMENTOS: - Deixar as folhas de mate em infusão no álcool durante cinco dias. - Filtrar o álcool com auxílio de guardanapo de linho ou papel-filtro, acrescentando a calda fria.

       Diz ser um licor agradável e ótimo estimulante. Agora, fica a pergunta: será que harmoniza com um bom habano? Quem sabe! Voltarei com maiores detalhes históricos e degustativos deste licor numa próxima postagem, após avançar mais nas pesquisas e apuração das informações devidas.

 

FOTO DE FERNANDO SIMAS (1851-1916) EXTRAÍDA DE UM ANTIGO QUADRO-RETRATO QUE ESTÁ EM PODER DE SEU TRINETO FABIO PEREIRA (ESTE ESCRIBA). FERNANDO SIMAS, ALÉM DE FARMACÊUTICO, NATURALISTA DO JARBIM BOTÂNICO DO RJ E, COMO SE VÊ, DISCÍPULO METICULOSO DAS CIÊNCIAS NATURAIS, FOI TAMBÉM ESTUDIOSO DAS HUMANAS.NASCIDO EM PARANAGUÁ E PAI DO JURISTA HUGO GUTIERREZ SIMAS, ERA REPUBLICANO HISTÓRICO, JORNALISTA, POETA,DEPUTADO FEDERAL PELO PARANÁ NA CONSTITUINTE DE 1891 - QUANDO PROMULGADA A PRIMEIRA CARTA MAGNA DO BRASIL REPUBLICANO-. DEIXOU HISTÓRIA NO ESTADO NATAL E NO RIO DE JANEIRO, ONDE RESIDIU ATÉ O SEU FALECIMENTO. AMIGO PESSOAL DE RUI BARBOSA, FERNANDO PERTENCEU AO CONSELHO FISCAL DO HISTÓRICO CLUBE "FRONTÃO BRASILEIRO", FUNDADO NA DÉCADA 1890 POR CARLOS  VIANNA BANDEIRA, CUNHADO DE RUI,NA PRAÇA DA REPÚBLICA Nº 51 NA ANTIGA CAPITAL FEDERAL, DO QUAL O ÁGUIA DE HAIA FOI ACIONISTA. FRONTÃO ERA O NOME DE UM ESPORTE TAMBÉM CONHECIDO POR "PELOTA BASCA". O JOGO POSSUI UMA SÉRIE REGRAS ESPECÍFICAS QUE PODEM SER CONHECIDAS ATRAVÉS DO SITE (http://www.pelotabasca.com.br/pelota/).



Escrito por FABIO F. PEREIRA ALVES às 02h21
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